Conversando com meus botões: O clique e a imagem do invisível
Olá Pessoal, s s s s S S SSS
Conversando com meus botões: O clique e a imagem do invisível
Aprendi com a fotografia que a composição da imagem acaba no clique. Aquele estalo seco é o ponto final; o que era fluxo de luz vira registro estático.
Mas hoje fico pensando sobre o que vem antes do clique. Sobre a imagem e semelhança.
Dizem que fomos feitos à imagem e semelhança do princípio de todas as coisas. Mas que imagem é essa?
Certamente não é o que o espelho devolve. O espelho mostra a biologia, o desgaste, a forma. A semelhança real deve estar na abstração. Uma ideia é uma imagem semelhante ao princípio de tudo: ela não tem massa, não ocupa lugar no espaço, mas tem o poder de dar ordens à matéria.
Muitos dizem que uma ideia é nada enquanto não vira forma. Eu discordo.
O nada não gera o algo. Se existe algo e não o nada, é porque a ideia já continha a semente da existência. O óbvio está sempre quietinho por trás de frases complexas.
O número 1, por exemplo. Você pode vasculhar o universo com o mais potente telescópio ou dar zoom no microscópio e jamais verá o número 1.
O que vemos é a representação, o signo, o risco no papel ou nada em profundo silêncio.
O 1 em si é uma abstração pura, uma lei.
A nossa semelhança com o criador talvez seja justamente essa: a capacidade de codificar. Ele usou o Verbo; nós usamos o signo, a letra, o código. E atualmente o PROMPT.
Somos programadores de realidades menores.
Se Deus fez o homem à sua imagem, Ele nos deu a capacidade de olhar para o caos e imprimir nele uma ordem, uma ideia, um sentido.
A ideia não é um nada. Ela é o código-fonte antes de ser compilado. A materialidade é apenas o corpo do crime; A ideia é o autor que não deixa MARCAS digitais, apenas lógicas.
O invisível é o que sustenta o visível.
O resto é apenas o barulho do obturador fechando. CLICK !
tk
